Pensei muitas vezes que temos muito a aprender com as crianças. Estas ainda não se adaptaram ao conceito de tempo linear com um passado, presente e futuro. Relacionam-se apenas com o presente imediato, o agora mesmo! Tenho o pressentimento de que não vêem o mundo fragmentado. Sentem-se unidas a todas as coisas do mundo como parte de um todo. Para mim, representam a verdadeira inocência, Amor, sabedoria e perdão.
À medida que envelhecemos, temos a tendência para aceitar valores adultos que enfatizam a projecção das aprendizagens do passado sobre o presente e o futuro antecipado. É difícil que a maioria de nós levante a mínima questão quanto à validade dos conceitos de passado-presente-futuro. Acreditamos que o passado continuará a repetir-se no presente e no futuro sem possibilidade de mudança. Consequentemente, acreditamos que vivemos num mundo assustador onde, mais cedo ou mais tarde, surgirão o sofrimento, as frustrações, o conflito, a depressão e a doença.
Quando nos agarramos, investimos e alimentamos as nossas experiências de culpa e razões de queixa do passado, somos tentados a prever um futuro semelhante. O futuro e o passado tornam-se num só. Sentimo-nos vulneráveis quando acreditamos que o passado de medo é real e nos esquecemos que a nossa única realidade é aquilo que temos neste instante. Ao sentirmo-nos vulneráveis, esperamos que o passado se repita. Vemos aquilo que esperamos e aquilo q esperamos é o que convidamos e procuramos. A culpa e o medo do passado são assim continuamente reciclados.
"Este instante é o único tempo que existe" pode tornar-se uma eternidade. O futuro torna-se uma extensão de um presente pacífico que jamais termina.
As minhas preocupações com o passado e a sua projecção sobre o futuro derrota o meu objectivo de paz no presente. O passado acabou e o futuro ainda não é. A paz não pode ser encontrada no passado nem no futuro, mas apenas neste instante.
Estou determinada a viver o hoje sem fantasias do passado ou do futuro, e acredito que este instante é o único tempo que existe.
Não seria bom se todos sentíssemos assim e soubéssemos que aquilo que os outros pensam não é importante, mas sim apenas aquilo que realmente amamos e queremos o é?
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